Como fazer

Organizador The Box: ponte entre o estudante e o conhecimento

No The Box, o professor ganha um nova roupagem e torna-se o organizador da sessão. Ele é responsável por evidenciar o estudante como protagonista em seu próprio aprendizado e promover insights transformadores.  

A pedagoga da Escola São Domingos, Larissa Gaspar Carneiro, salienta que o organizador facilita o processo para a que a informação se  transforme em conhecimento e gere novas aprendizagens. “Ele não traz respostas, mas faz boas perguntas que estimulam a busca por conhecimento. Sobretudo, o organizador também considera as experiências de vida do aluno, que ultrapassam o aprendizado em sala de aula”, explica.

O organizador da sessão The Box é responsável por evidenciar o aluno como protagonista em seu próprio aprendizado

Para ser organizador do método de ensino do The Box, o docente passa por uma capacitação na Escola São Domingos, adquirindo conhecimento sobre outras metodologias de aprendizagem ativa. 

 

Planejamento da sessão The Box  

O ponto de partida para o planejamento da sessão é a definição do conteúdo a ser abordado, no contexto que está inserido, seja de aulas regulares de disciplinas curriculares, seja em atividades de extensão, formação livre ou profissional.

A abordagem pode ser utilizada para experimentação e aprendizagem de qualquer conteúdo, de qualquer disciplina. A capacidade de abstração, criatividade e proficiência no método do organizador do The Box ao planejar e conduzir a sessão vai tornar mais ou menos desafiador percorrer todas as etapas e atingir os objetivos.

A extensão do conteúdo a ser abordado deve ser dimensionada a partir da duração disponível para a sessão. Por exemplo: imagine um professor de matemática, propondo uma sessão para introduzir o conteúdo de frações a estudantes do 4º ano do Ensino Fundamental. A sessão terá duração de 50 minutos. Logo, deve-se restringir a extensão do conteúdo de modo a permitir que todo o ciclo de aquisição de conhecimento aconteça.

O organizador poderia propor como conteúdo específico o conceito de denominador. A partir dessa definição, explorar com uma boa pergunta e definição de alvo. A sessão repercute positivamente nos participantes e propicia uma nova perspectiva para as demais aulas regulares dos demais conteúdos.

 

Organizadores de problemas

Grandes problemas são aqueles que promovem a curiosidade, estimulam a exploração e a descoberta. Há problemas que são fundamentalmente complexos, outros cuja simplicidade promove a reflexão profunda, que podem ser apresentados em forma de perguntas, provocações ou definições de alvo.

A definição de um grande problema deve levar em conta o perfil de público que atenderá à sessão, seus conhecimentos prévios e vivências particulares. O problema deve estar conectado diretamente à área do conhecimento que estiver sendo trabalhada, contudo, não há necessidade de referenciá-la diretamente.

Por exemplo, se o organizador The Box decidir trabalhar a introdução ao conteúdo de força de atrito, ele pode partir para uma problematização relacionada à dificuldade de frenagem de automóveis em pistas molhadas com o seguinte questionamento “Por que os carros derrapam com mais facilidade quando a pista está molhada?”.

O organizador da sessão irá apresentar um problema que motiva, engaja e desperta interesse dos participantes da sessão, o que é fundamental para o sucesso do processo de construção do conhecimento.

 

Eles dominam a arte de fazer boas perguntas

Saber fazer boas perguntas é uma das principais habilidades em uma era de muitas transformações. Somos seres naturalmente curiosos desde o nascimento e, principalmente durante as primeiras idades, experimentamos um processo sem precedentes de formação do entendimento sobre o mundo que nos cerca.

O organizador de uma sessão é, antes de qualquer outra coisa, um grande questionador.

O organizador de uma sessão é, antes de qualquer outra coisa, um grande questionador. Ao experimentarem essa etapa, objetiva-se que os participantes desenvolvam, também, a própria capacidade de fazer boas perguntas. As perguntas devem estar alinhadas ao objetivo da sessão e podem ser construídas.

Tom Pohlmann e Neethi Mary Thomas, articulistas da Harvard Business Review, sugeriram, em seu célebre artigo “Reaprendendo a arte de fazer perguntas”, os seguintes grupos de perguntas:

Perguntas Esclarecedoras: são perguntas que visam melhorar a percepção do interlocutor acerca da formação de sua própria opinião. São exemplos: “Você pode aprofundar melhor sua explicação?” ou mesmo “Você considerou como público potencial do produto apenas os jovens?”.

Perguntas Contíguas: São perguntas que estimulam o pensamento divergente e forçam positivamente criatividade, uma vez que tendem a transformar ideias em debates. Por exemplo: “Como teria sido a Revolução Francesa se todos tivessem smartphones?”.

Perguntas Afuniladoras: São perguntas que visam estreitar o foco de visão em busca de novas perspectivas, por vezes negligenciadas pelo excesso de informação. Por exemplo: “Como podemos simplificar essa solução para lançá-la em um mês?”, “Que método foi utilizado para chegar a essa resposta?”.

Perguntas Elevadoras: Essas são as perguntas com maior potencial de exploração na abordagem proposta. Elas servem para elevar a perspectiva dos interlocutores e iluminam problemas de uma maneira mais abrangente, apresentando o panorama geral. São exemplos, perguntas como “Essa é a pergunta certa a se fazer?” ou ainda “As premissas que estabelecemos no início do projeto ainda se mantém?”.

 

Características do organizador do The Box

Algumas características são fundamentais para o desenvolvimento deste papel em uma sessão de aprendizagem. São elas:

  • Senso de urgência para a definição de tempo, envolvimento e engajamento dos participantes;
  • Observação constante do desenvolvimento dos alunos. É fundamental que o organizador tome nota de como as discussões estão sendo realizadas para oferecer um feedback completo aos alunos;
  • Boa prática de definição de equipes, promovendo o envolvimento e engajamento entre grupos conhecidos e desconhecidos;  
  • Capacidade de emocionar e inspirar.  

 

Quer ter acesso ao Manual do Organizador do The Box? Clique aqui.

Outras matérias

Uma aula no The Box

saiba mais

Metodologia The Box

saiba mais

The Box: uma metodologia aberta ao mundo

saiba mais